Pensar o futuro da participação dos cidadãos
Aprofundar a reflexão e passar à ação

por José Carlos Mota
São necessários políticos arrojados, técnicos desempoeirados, académicos comprometidos e uma sociedade civil atenta e exigente
No Mira Fórum, no Porto, realizou-se no passado dia 10 de dezembro o último encontro do ciclo de apresentações do livro A participação cívica em Portugal da autoria de José Carlos Mota.
Segundo o autor, professor e investigador na Universidade de Aveiro “Este último encontro, no Porto, trouxe ainda à discussão um conjunto de preocupações particularmente relevantes. Destacou-se o potencial do envolvimento e da participação cívica na conceção coletiva de modelos alternativos de sociedade e de território, capazes de disputar uma certa forma dominante de decisão pública, frequentemente marcada por processos pouco transparentes, informação insuficiente aos cidadãos, projetos tecnicamente frágeis e calendários de execução que não permitem uma reflexão adequada sobre opções que afetam recursos que são de todos e cujo benefício para o interesse coletivo nem sempre é claro”.
Portugal será um país melhor, mais justo, mais solidário e mais bem preparado para os desafios complexos que tem pela frente se contar com o envolvimento de todos.
José Carlos Mota
Uma longa viagem
Esta foi a principal conclusão de uma viagem de cerca de 2.000 km, realizada ao longo dos últimos três meses, de norte a sul do país, passando por seis cidades capitais de distrito.
Nela [na viagem] participaram mais de 350 pessoas, que se juntaram para escutar e pensar em conjunto sobre o futuro da participação cívica.
Mais do que o lançamento de um livro editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, este ciclo de encontros – que reuniu 25 oradores e moderadores com perfis profissionais muito distintos, da academia ao ativismo, da arte à intervenção social – permitiu construir um retrato diverso e plural das práticas participativas existentes no país, dando voz aos cidadãos e às causas que mais os preocupam.
A promoção da participação cívica é, assim, uma oportunidade para melhorar a sociedade, através do reforço do sentido de pertença, do valor do comum, da capacidade de agência dos cidadãos e do capital afetivo e relacional. Para que isso aconteça, são necessários políticos arrojados, técnicos desempoeirados, académicos comprometidos e uma sociedade civil atenta e exigente.
Não podemos ficar por aqui
É preciso aprofundar a reflexão e passar à ação: dar mais visibilidade às boas histórias de participação, criar redes de suporte que potenciem recursos e gerar maior impacto transformador. Esta é a encomenda que temos pela frente. Quem desejar colaborar pode fazê-lo escrevendo para portugalnaoeumpaissemnos@gmail.com.
Um agradecimento especial à Manuela Matos Monteiro e ao MIRA Galerias – MIRA FORUM, bem como a todos os colegas e amigos que se juntaram na passada quarta-feira, no Porto.



Imagens da sessão no Mira Fórum – Porto [Campanhã]
Fotos © Mira Fórum