18 de Janeiro, 2026

Dez anos de Letras Prá Vida é obra!

O IX Encontro de Educação de Adultos Prá Vida, com o tema “No Silêncio das Políticas, as Vozes da Resistência”, teve lugar em Coimbra, na ESEC- Escola Superior de Educação, no passado dia 5 de dezembro. 

REPORTAGEM – NSF [CVR] em Coimbra, na ESEC

Tratou-se de um evento que assumiu o carácter de celebração atendendo ao facto do Projeto Letras Prá Vida ter atingido 10 anos de atividade continuada em diversos concelhos do país. 

A sessão reuniu educadores, participantes e parceiros para refletir sobre o papel da Educação de Adultos, partilhar experiências e fortalecer a comunidade que mantém este projeto vivo. 

A experiência do Letras Prá Vida assume particular relevância por se enquadrar numa corrente global da educação de adultos fiel aos princípios da educação transformadora de Paulo Freire e ter adotado de forma específica uma componente afetiva nas dinâmicas pedagógicas desenvolvidas com os participantes nas atividades de alfabetização.  

Esta abordagem, num plano meramente analítico, incorpora riscos e potencialidades que são geralmente calculados e necessitam de uma gestão meticulosa para que o objetivo central, as aprendizagens úteis para a vida, seja efetivamente alcançado. 

Embora a componente afetiva seja reconhecida como fundamental para o sucesso das dinâmicas pedagógicas, é importante destacar que relações afetivas excessivas podem gerar riscos significativos nos processos educativos. Em primeiro lugar, existe o perigo de que a proximidade emocional entre educadores e participantes comprometa a objetividade necessária para a avaliação e acompanhamento das aprendizagens, tornando difícil estabelecer limites claros entre o papel profissional e o vínculo pessoal. Além disso, essa excessiva ligação afetiva pode levar a situações de dependência emocional, dificultando o desenvolvimento da autonomia dos adultos envolvidos, bem como a sua capacidade de enfrentar desafios fora do ambiente educativo. 

Outro risco reside na possibilidade de que conflitos interpessoais ou expectativas não correspondidas provoquem frustrações, desmotivação ou até o afastamento de participantes, afetando negativamente o clima do grupo e o progresso coletivo. Por fim, a sobrevalorização do afeto pode obscurecer a necessidade de práticas pedagógicas baseadas em evidências, desviando o foco dos objetivos de aprendizagem essenciais e dificultando a implementação de estratégias eficazes e equitativas para todos os participantes. 

Mas a longevidade e consistência do Letras Prá Vida evidenciam o compromisso persistente de todos os envolvidos, reforçando a importância de criar espaços seguros onde adultos possam desenvolver-se a nível pessoal, social e cultural. A partilha de testemunhos durante o evento demonstrou como as práticas educativas centradas no afeto e no respeito pelas vivências dos participantes favorecem não só o acesso ao conhecimento, mas também o fortalecimento da autoestima e da participação ativa nas comunidades. Assim, o encontro não só celebrou o percurso já trilhado, como também renovou o apelo à continuidade de iniciativas que promovam a educação emancipadora e transformadora, especialmente em contextos marcados por desafios sociais e pela ausência de políticas públicas robustas. 


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