Os EUA, o Irão e as Lajes
Excertos sobre a mentira e a capitulação face aos poderosos
O Acordo de Cooperação e Defesa, atualmente em vigor, data de 1995 e veio substituir o de 1951. O Acordo de Cooperação e Defesa integra ainda dois outros acordos (menos conhecidos, mas não menos relevantes): o Acordo Laboral, que regula as relações laborais dos portugueses ao serviço dos EUA, e o Acordo Técnico, que autoriza e regula a utilização de infraestruturas das, e nas, Lajes pelos norte-americanos. É este último que determina que Portugal cede aos EUA autorização para a utilização das instalações e para o trânsito de aviões militares na base e pelo espaço aéreo dos Açores e que Portugal “encarará favoravelmente” os pedidos de utilização da Base para operações militares decorrentes de decisões de organizações internacionais de que os dois países sejam membros como, por exemplo, a NATO.
In André Franqueira Rodrigues , DN, 27 Fev. 2026
Seleção retirada de Irene Pimentel, in Facebook
Rangel tenta enganar-nos (David Pontes)
Portugal não se faz respeitar (António Barreto)
David Pontes, no Público:
“The Portuguese Lajes Air Force Base
Uma posição em que, infelizmente, se inscrevem as respostas do ministro dos Negócios Estrangeiros sobre a utilização da Base das Lajes. Segundo o ministro, os norte-americanos “podem, para qualquer operação, usar sem Portugal ter de ter conhecimento. Isso é assim que está nos tratados e é assim que está a acontecer com todas as bases europeias, dos mais variados países”. Como o ministro bem sabe, isto não é verdade.
O tratado que regula a utilização da Base das Lajes não diz isso. É bem claro em separar missões da NATO, missões com mandato dentro do direito internacional com apoio de Portugal, e as outras. As outras são aquelas em que é suposto os norte-americanos pedirem autorização prévia para a utilização de uma base que é território nacional.
Que Paulo Rangel abdique dessa autorização por considerar que Portugal deve estar sempre de acordo com os EUA é uma posição defensável. Sempre seria melhor que tentar enganar-nos com os termos do acordo e ainda acrescentar algo que choca com o facto de o Reino Unido não ter autorizado que as suas bases sejam utilizadas para os preparativos de um ataque ao Irão. Os ingleses não são menos aliados dos norte-americanos do que os portugueses, mas já devem ter entendido que um Presidente que ameaça atacar a Gronelândia não merece a simpatia de outrora.”
António Barreto, no Público:
“Açores à vista!
Salvo melhor informação, ou salvo prova em contrário, o Governo português foi ultrapassado e esquecido, ou antes, ignorado. Foi-lhe mesmo ocultada a operação. O Governo português reagiu mal. Confusamente. Com frases dos ministros que ficarão para a história da tentativa de garantir que não foram desprezados. Nos últimos dois anos, o comportamento do Governo relativamente ao uso da Base das Lajes, assim como ao material e aos aviões que por ali passam, foi de molde a desconsiderar toda e qualquer instituição. Mentiu, negou, refutou, confessou, apurou, desmentiu, corrigiu, disfarçou, encobriu, ocultou e admitiu.
O que parece ser a verdade, até confirmação ulterior, é que o Governo americano utilizou a Base das Lajes as vezes que quis e entendeu, em operações fora do quadro da NATO. Na maior parte dos casos, se não mesmo em todos, o Governo americano nada disse antecipadamente ao Governo português. Isto, no quadro da melhor atitude política de Donald Trump: quem tem poder exerce-o, não partilha nem negoceia. Quem tem meios e força militar nada tem a dizer aos seus aliados. Como os aviões se vêem e até são fotografados, o Governo português começou a corar, gaguejar e dar o dito por não dito. Mas a verdade é que nada sabia. Não só o Governo americano nada disse, como o Governo português não teve força, nem dignidade ou independência para dizer “Assim, não!”, muito menos para exigir comunicação prévia e pedido de autorização, em conformidade com os tratados.
Trump faz o que sabe e em que acredita. Quem tem força manda. Quem pode faz. Quem tem poder, força, dinheiro e armas vai em frente e não dá cavaco. Trump só respeita quem se faz respeitar. E Portugal não se fez respeitar.”