As mentiras e o branqueamento encapotado dos Pides
Contra as mentiras da extrema-direita e de certa direita negacionista da ditadura portuguesa

Por Irene Pimentel, in Facebook
1. Eu contabilizei mais de 12.000 presos políticos, só na chamada metrópole, entre 1945 e 1974. No entanto, entre 1933 e 1945, houve muitos mais presos políticos. Num total, durante a ditadura de Salazar e Caetano terão sido presos por motivos políticos mais de 30.000.
2. Nas colónias portuguesas, nomeadamente na Guiné, em Angola e Moçambique, durante a guerra, não estão contabilizadas nem as mortes nem as inúmeras prisões por razões políticas.
3. No dia 25 de Abril de 1974, o MFA realizou um golpe de Estado militar, que derrubou o regime ditatorial, a que se seguiu um processo revolucionário.
4. Os presos, a partir de 26 de Abril de 1974 foram dirigentes, agentes e informadores da PIDE/DGS, que, pelas 20 h de dia 25, provocou 4 mortos e 45 feridos, os únicos do golpe de Estado militar. Os elementos da PIDE/DGS foram julgados em tribunal militar, que os absolveu na sua maioria e sentenciou alguns ao tempo da prisão preventiva sofrida.
5. Outros presos após 25 de Abril foram os que participaram na manifestação dita silenciosa spinolista de 28 de Setembro de 1974 e na tentativa fracassada de golpe de Estado de Spínola de 11 de Março de 1975. Foram pouco tempo depois libertados e não foram julgados.
Leiam este artigo que inclui uma entrevista que dei hoje à SIC
P.S. Só quero esclarecer que, se fui eu que disse, na entrevista, o número de cerca de 30.000 (1926-1974 e mais de 12.000, contabilizados por mim entre 1945 e 1974, a frase “e em 1974 foram identificados perto de 4.400 presos políticos em Portugal e nas colónias” não é minha. O seu a seu dono.
A Notícia da SIC que desmentiu Ventura
“André Ventura provocou indignação ao afirmar que havia mais presos políticos após o 25 de Abril do que durante a ditadura. No entanto, a narrativa é falsa, como confirma a historiadora Irene Pimentel. A ditadura teve cerca de 30 mil presos políticos e em 1974 foram identificados perto de 4.400 presos políticos em Portugal e nas colónias. No pós-Revolução foram detidos principalmente ex-agentes da PIDE, num número significativamente inferior”.
Irene Flunser Pimentel explica aqueles que foram detidos nos dias que se seguiram ao 25 de Abril foram elementos da PIDE.
“Os únicos mortos do 25 de Abril foram quatro portugueses que foram fuzilados pela PIDE/DGS na rua António Maria Cardoso às 8 horas de dia 25 de Abril. Portanto, são os únicos mortos. E 45 feridos. A partir daí era impossível, porque não estava no programa prender os elementos da PIDE, mas eles praticaram crimes até ao fim. E, portanto, começaram a ser presos aqueles que estavam na rua António Maria Cardoso a tentar defender aquela sede e, depois, ao longo dos meses, muitos informadores e outros elementos da PIDE, aqueles todos que não fugiram. Portanto, estes são os presos políticos [do pós-25 de Abril]”, afirma a historiadora.
Até 1986 foram pronunciadas 2.755 sentenças aplicadas a elementos da PIDE/DGS. O número distancia-se dos quase 4.400 prisioneiros políticos de 74 e dos mais de 30 mil durante todo o período em que o país viveu em ditadura.
Destes, “uns estiveram [presos] seis meses, outros estiveram um pouco mais, os maiores torturadores ficaram mais tempo“, mas “não houve julgamentos destas pessoas” porque só com a Constituição se criou o aparelho judicial e este estipulava que “nunca mais iria haver julgamentos políticos”.
FOTOS ©Museu Nacional Resistência e Liberdade – Fortaleza de Peniche

