A grande prioridade do século XXI
Aumentar a cultura geral

Joaquim Cândido Machado
Se a inteligência do futuro resultar da interação entre a inteligência humana e a inteligência artificial, então a principal riqueza das sociedades deixará de ser a tecnologia. Passará a ser a qualidade intelectual dos seus cidadãos.
A inteligência artificial fornece respostas. Mas a qualidade dessas respostas depende da qualidade das perguntas. E a qualidade das perguntas depende da cultura geral, do pensamento crítico e da capacidade de raciocínio de cada pessoa.
Por isso, a grande prioridade das sociedades livres deve ser aumentar rapidamente a cultura geral da população.
Esta transformação deve começar na escola.
A escola continuará a ensinar matemática, ciências, línguas e história. Mas deverá dedicar muito mais atenção ao desenvolvimento da memória, da linguagem, da leitura profunda, da capacidade de formular perguntas, do pensamento crítico, da lógica, da filosofia e da compreensão do método científico.
A inteligência artificial deve ser integrada na aprendizagem, mas nunca substituir o desenvolvimento do cérebro.
Os órgãos de comunicação social também terão de assumir uma nova responsabilidade. Para além de informar, deverão contribuir para elevar o nível cultural da sociedade, explicando os grandes desafios científicos, tecnológicos, económicos e políticos com rigor, clareza e independência. Uma democracia depende da qualidade intelectual dos seus cidadãos.
Em casa, a educação voltará a desempenhar um papel decisivo. O gosto pela leitura, a curiosidade, a conversa entre gerações, o contacto com a arte, a ciência e a natureza, bem como a utilização inteligente da IA, formarão cidadãos mais preparados para compreender um mundo complexo.
A inteligência artificial não elimina a necessidade de aprender. Pelo contrário, aumenta-a.
Quanto maior for a cultura de uma pessoa, maior será a sua capacidade para utilizar a IA de forma criativa, crítica e responsável.
As sociedades que compreenderem esta realidade darão um salto histórico. A sua riqueza não dependerá apenas da economia ou da tecnologia, mas da inteligência coletiva construída pela interação entre cidadãos cultos, livres e uma inteligência artificial colocada ao serviço do conhecimento.
Talvez esta seja a grande missão da Europa no século XXI: tornar-se a região do mundo onde a liberdade, a cultura geral e a inteligência artificial se reforçam mutuamente, criando uma sociedade mais inovadora, mais democrática e mais humana.
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Foto – Fonte UNESCO