17 de Junho, 2024

Resistentes portugueses em França já tinham combatido na Guerra Civil de Espanha

MUNDO | França – Conferência em Bayonne

Com Manuel Dias Vaz

O tema é delicado, adiantou-nos Manuel Dias Vaz, vice-presidente e delegado do Comité Sousa Mendes (Bordéus), organizador da Conferência Os estrangeiros na Resistência – o caso dos portugueses que se realiza em Bayonne já no próximo dia 20 de janeiro.

A prudência nas palavras do dinamizador desta importante iniciativa, que já viu a sua calendarização cumprida nas etapas anteriores com início em Angoulème em outubro 2021 e que ainda prevê outras realizações em Hendaye, Pau e Oléron-Sainte-Marie até março 2022, advém de um profundo conhecimento do ambiente politico e cultural em França onde o tema da Resistência continua a produzir declarações inflamadas ou pelo menos controversas.

Ciclo de conferências

Manuel Dias Vaz relembrou que o ciclo de conferências que está a decorrer estrutura-se numa hierarquia temática que tem por ponto de partida o processo unificador dos diversos grupos resistentes durante a Segunda Guerra Mundial, numa segunda linha de abordagem o papel dos estrangeiros, na sua globalidade, que é analisado de forma ampla e, por último, o caso da participação dos portugueses que é tratado com a profundidade cientifica que o próprio tema exige.

O que é certo é que a presença em larga escala de portugueses, membros da Resistência francesa, em campos de concentração revela por um lado as atrocidades dos nazis alemães que ocuparam França e por outro a presença no território do sudoeste do hexágono de inúmeros judeus cuja origem terá sido a sua expulsão de Portugal.

Deportados e expulsos

Em Bordéus, Bayonne, Arcachon e Toulouse existiram grandes comunidades judaicas nos anos 30 do século passado. Muitos dos seus membros ainda tinham a nacionalidade portuguesa e é preciso relembrar que muitos judeus implicados na Resistência foram deportados e colocados em campos de concentração. As deportações foram principalmente para a Alemanha, a Polónia e a Austria. Mas muitos foram entregues pelos alemães a Salazar que acabou por encarcerar alguns em Caxias e Peniche e deportar outros para o campo da morte do Tarrafal, em Cabo Verde” sinalizou Manuel Dias que reafirmou que estes dados relativos aos acontecimentos são objeto de uma investigação muito rigorosa que é conduzida por Cristina Clímaco, Marie-Christine Volovitch-Tavares e Vitor Pereira que contam com a coordenação de Laurent Douzou da Universidade Lumière de Lyon..

Os investigadores, reputados académicos com atividade letiva e de investigação em Paris, interessam-se ainda pela ligação que existe entre o percurso de muito portugueses que participaram na Guerra Civil de Espanha, no Exército Republicano ou nas Brigadas Internacionais, cerca de 30.000, e a inevitável passagem de fronteira de parte deles para o lado oposto dos Pirinéus e o ingresso na Resistência francesa.

Na opinião de Manuel Dias Vaz “não se pode compreender a presença dos portugueses na Resistência francesa, sem os relacionar com a Guerra Civil de Espanha”.

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