15 de Abril, 2026

Os impactos da educação para a sexualidade

Margarida Vasconcelos

O que o governo da AD quer mudar?

por Margarida Vasconcelos, in Facebook

Quem achar que este tema não interessa nada e que é uma teimosia da esquerda vai-se enganar não tarda.

E não tenhamos pudor em falar sobre o ensino para a sexualidade porque foram precisamente o pudor e o tabu que cavalgaram muita desinformação e desencadearam comportamentos nocivos cujas consequências gravíssimas todos nós conhecemos.

Vamos a factos:

– O que existia até aqui?

A sexualidade era ensinada em pelo menos dois ciclos do ensino básico e incluía temas como diversidade, direitos, contraceção, prevenção de IST e identidade de género.

– O que é que o Governo da AD quer mudar?

Essa matéria desaparece do guião. A sexualidade passa a constar apenas no domínio geral da “Saúde”, mas sem menções explícitas. A única referência no 2.º e 3.º ciclo é “respeitar questões relacionadas com a intimidade e privacidade”.

No 3.º ciclo, a identidade de género e orientação sexual só surgem de forma marginal, inseridas no contexto de violações de direitos humanos (ex. violência contra pessoas LGBTQIA+).

Vamos a dados:

– O declínio das taxas de gravidez na adolescência sugere benefícios da educação sexual;

– Os níveis de reinfeção e infeções silenciosas com DSTs indicam que a prevenção depende de informação clara e literacia (Ler MAIS);

– O níveis ainda alarmantes Bullying LGBTQIA+:, mas evidências científicas apontam que uma abordagem educativa inclusiva (como a da Estratégia anterior) contribui para ambientes escolares mais seguros e saudáveis, reduzindo violência, o bullying para com pessoas LGBTQIA+ e promove o bem‑estar (Ler MAIS).

Vamos a reações de partes interessadas:

– FENPROF: OBSERVADOR

– CONFAP: RÁDIO RENASCENÇA

– Ordem dos Psicológos: TVI

Em resumo:

– Quem devia ser auscultado releva-se contra esta mudança e todos os dados mostram como a estratégia anterior (com ensino sobre a sexualidade, a diversidade, métodos contraceptivos, DSTs e identidade de género, etc.) estava alinhada com evidências internacionais que mostram, por exemplo:

1) Redução das gravidezes precoces;

2) Diagnóstico precoce e prevenção de ISTs;

3) Menor bullying e melhor segurança para jovens LGBTQIA+.

Conclusão:

Afinal de contas, quem é que tem verdadeiramente “amarras ideológicas”? O Governo da AD.

Para agradar a quem? À sua base eleitoral ideologicamente mais extremada à direita e à extrema-direita.

Que defende o quê nesta matéria? Que não se ensine nada. Ludibriam as pessoas com o suposto ensino de uma “ideologia de género”, que apelidam de “marxismo cultural” e doutrinação que não cola com a realidade.

Quem pagará? Sobretudo, os nossos jovens.

Mas deixem lá:

Não foi este Governo que prometeu desenvolver um chatgpt à portuguesa, o Amália? Pois vai ser a ele que poderão perguntar tudo o que quiserem sobre sexualidade.

Boa sorte.

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