16 de Abril, 2026
casar

Uma exposição a não perder

Manuela Matos Monteiro continua a apresentar-nos propostas para um olhar crítico e reflexivo sobre a realidade sociológica, antropológica e cultural que nos acompanha estruturalmente a partir de iniciativas que desafiam que merecem ser visitadas. Desta feita o tema casamento e a associação Ephemera são os pontos de partida para o seu convite. NSF – CVR

A exposição está patente até 30 de setembro, de terça a domingo, das 10h às 12h, e das 13h30 às 18h. A entrada faz-se pela igreja (condicionada quando há culto)

Por Manuela Matos Monteiro

O Ephemera, a partir do seu espólio, organiza exposições temáticas que dão outro sentido ou sentido acrescido a eventos e comportamentos sociais. O material reunido e organizado permite outras perspetivas de leitura, outros modos acrescidos de significado e representação. Não é por acaso que “Casar” é uma das propostas que mais público tem atraído ao à Galeria adjacente da extraordinária Igreja de S. Roque (publicarei algumas fotografias).

O arco temporal desta mostra vai do início do século XX até aos anos 80 e as fotografias das várias décadas estão representadas e organizadas em quatro módulos: A Preparação, A Cerimónia, Os Noivos, A Festa. Estas fotografias contam vidas mas sobretudo mostram que, ao longo de tantas décadas, o casamento é um dos rituais mais preservados apenas mudando fundamentalmente aspetos associados à decoração dos corpos e dos lugares.

Hoje, os casamentos pela igreja são em menor número (a igreja é o cenário original e apropriado) mas os casamentos pelo civil asseguram cenários onde a encenação ganha a dimensão de um evento que fique na memória. Hoje, os casamentos constituem um negócio que move grande quantias de dinheiro e tudo está organizado para que os clientes gastem, gastem muito. Há empresas que preparam tudo, mesmo tudo, quintas que vivem dos casamentos e quem julgava que a acessibilidade da fotografia poria em causa o negócio da imagem, está muito enganado! Visitámos na semana passada uma empresa que se dedica ao fabrico e venda de álbuns a fotógrafos profissionais: duas salas/showrooms com incontáveis propostas, algumas dedicadas a outros rituais como batizados, comunhões, bodas de ouro e de outros metais menos preciosos. Nos nossos dias, um casamento pode custar centenas de milhares de euros. Donde, o casamento veio para ficar antes de mais porque o ritual faz parte do ADN cultural dos seres humanos.

Tivemos a sorte de sermos guiados por uma das curadoras da exposição, a amiga Maria Castanho Ribeiro e isso não foi um pormenor. A quem visitar, sugiro a aquisição do catálogo, uma brochura pequena acompanhada por 5 postais.

A exposição está patente até 30 de setembro, de terça a domingo, das 10h às 12h, e das 13h30 às 18h. A entrada faz-se pela igreja (condicionada quando há culto)

A não perder!

GALERIA | Fotos @ Manuela Matos Monteiro

Manuela Matos Monteiro

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