Concerto de Laurie Anderson no Rivoli
Memorável
por Manuela Matos Monteiro

O dicionário define MEMORÁVEL “o que merece ser lembrado”. O concerto de Laurie Anderson no Rivoli cabe sem dúvida nesta categoria o que não é uma opinião exclusivamente pessoal: no fim, sob o efeito emocional do que aconteceu, muitos bem rodados em concertos afirmaram que foi o melhor concerto que tinham visto. Para mim, foi sem dúvida.
Conheço razoavelmente bem a obra da Laurie Anderson que aprofundei para responder ao convite da Fonoteca: apresentar o álbum de um/a artista numa sessão mensal de sábado.
Acompanhada pela banda nova-iorquina SexMob (apenas, excecionais!), nas duas horas da noite aconteceu tudo: cruzamento de sons de diversas origens, uso da multimédia com oportunidade, significado e sentido estético, evocação de grandes figuras da música, filosofia, ativismo, histórias de infância, reflexão política do estado do mundo, inteligência artificial (aplicada com oportunidade e humor) e um corpo (de 78 anos) performativo a acompanhar as narrativas e as canções. A sessão terminou de forma surpreendente: pôs a sala lotada a acompanhar uma sessão de tai chi evocando o seu companheiro Lou Reed. Foi desconcertante e maravilhoso!
À saída, tomados pelo entusiasmo, ficámos a partilhar a energia e o encantamento que sentíamos e que não conseguíamos conter. Transbordavamos. Só um forte aguaceiro quebrou aquela assembleia e cada um rumou a casa tomados por um sentimento de quase plenitude.
A REGISTAR:
Importa reconhecer quando acontece e existe: é um privilégio assistir a um concerto notável em qualquer parte do mundo num espaço confortável, com um som fantástico. com gentis assistentes de sala por 12.50. E vem à memória o resgate deste teatro municipal, e vem à memória Paulo Cunha e Silva (com a liberdade e o necessário apoio dados por Rui Moreira)
Foto destaque : Manuela Matos Monteiro