A invasão da Venezuela
O fim do Direito Internacional e a nova era do imperialismo colonial

por Carlos Valentim Ribeiro
O que marca os dias de hoje é a ruptura total e definitiva com o sentido de equilíbrio que predominou até há pouco tempo nas relações internacionais. Equilíbrio sempre precário mas apesar de tudo dominante, com perturbações sucessivas e com picos de tensão que provocaram sinais de alerta sobre as linhas vermelhas que poderão ter sido ultrapassadas. As situações mais críticas acabaram por ser entendidas como pontuais e ou então geríveis no âmbito do equilíbrio instável instituído.
A recente invasão da Venezuela pelos Estados Unidos da América surge como um acontecimento acompanhado de um programa que não permite incluir esta iniciativa nas características mencionadas como esporádicas ou pontuais. A declaração dos invasores é clara: assumir o governação do país e gerir os seus recursos em favor dos negócios dos declarados invasores.
Nestas circunstâncias estamos perante um ato imperialista com vocação colonial que só pode ser invertido com a luta e resistência dos povos que estão a ser colocados em posição de sujeição face a um invasor e promitentes colonizador.
A cobardia que a direita reacionária e a extrema-direita europeias estão a demonstrar face ao avanço do imperialismo norte-americano só tem um contraponto: Sanchez, Primeiro-Ministro socialista que governa Espanha. O governo espanhol, como já o fizera recentemente a propósito das imposições de valores para investimento militares relacionados com a NATO, declarou a agressão norte-americana como ilegal e inaceitável.
Em Portugal a posição do governo de Montenegro pela voz do ministro Rangel consiste num apoio formal à intervenção dos EUA já que a sua principal preocupação radica na questão da Presidência e na necessidade do colocar rapidamente Edmundo Gonzalez à frente dos destinos do país. Rangel considera que poderá existir alguma legitimação da agressão norte-americana atendendo à existência, nas suas palavras, de um narco-Estado na Venezuela. Assim, em vez de chamar o Embaixador americano ao palácio das Necessidades, como é seu dever, para condenar uma ação militar contra um Estado soberano, é o contrário que acontece.
Por sua vez o Secretário-Geral do Partido Socialista recusou realizar uma condenação categórica da invasão da Venezuela pelos Estados-Unidos e preocupou-se apenas com as comunidades de portugueses que residem no país. Uma lástima. Posicionou-se numa pseudo-solidariedade com os emigrantes lusos e com os ditos esforços dos países da União Europeia que pretendem que exista uma transição justa e democrática.