O Porto a todo o vapor!
No Mira, um dia muito especial
Lançamento de um livro e de muito mais
O MIRA foi pequeno para acolher tanta gente para participar no lançamento do livro de José Carlos Oliveira “O Grupo Desportivo dos Ferroviários de Campanhã” e isso foi muito bom. A tarde de sábado conheceu uma enchente até à rua como aconteceu com os lançamentos / apresentações de Gonçalo M. Tavares, Valter Hugo Mãe, Ricardo Araújo Pereira, Hugo Van Der Ding, Mariana Correia Pinto e outros magníficos eventos. Desta vez,
o livro apresentado conta os 92 anos de um grupo associativo que ia para além da dimensão desportiva e, que por isso mesmo, conta mais do que uma associação, conta uma freguesia, uma cidade, uma região e, também, um país …
Para além da História, este livro conta histórias, conta a amizade, o companheirismo, a solidariedade, a comunidade, o associativismo, a liberdade de sermos, a utopia realizável porque houve tantos que a quiseram realizar. E talvez tudo isto explique porque razão tanta gente acorreu a Miraflor numa tarde de sábado tropical, talvez tudo isto explique o banho de afetividade e de bem querer que atravessou as três horas da sessão.
Os dizeres
Na mesa Rosa Gomes que apresentou a sessão, Vítor Miranda, Presidente da Direção do Grupo Desportivo dos Ferroviários de Campanhã trouxe o passado do Grupo como inspiração do presente que se atualiza e o futuro que se projeta. Hélder Pacheco (retiramos de todos os nomes os títulos profissionais porque o ambiente da sessão convocou os títulos do coração) amigo do MIRA desde a sua fundação há 13 anos fez a apresentação da obra. E há um modo de apresentação “à Hélder Pacheco”: rigor na análise, espírito crítico apurado, atenção aos detalhes e … o “resto” que é o que distingue este autor de tantos livros sobre a cidade, as pessoas, o património material e imaterial deste mundo portuense e da região onde tem raízes. Hélder Pacheco leu as linhas e as entrelinhas, alinhavou a paisagem física, psicológica e social onde o grupo se desenvolveu, ponteou histórias de gente que fez e faz parte da cidade como as pedras, as águas do Douro e as águas que percorrem os interstícios subterrâneos do granito, cerziu lugares com o seu discurso de historiador a que acrescenta a interpretação poética que o distingue dos outros.
É um contador que não enjeitando o rigor da análise lhe acrescenta a indelével cor dos afetos.
No seu dizer, destacou o autor com adjetivos que tão bem o descreveram. Porque pensadas, medidas e sentidas as suas palavras foram acolhidas pela vasta assistência que as aprovavam com acenos de cabeça e mãos no peito.
O autor
Quando conhecemos o José Carlos percebemos que estava ali um autor diferente pelo empenho e paixão com que falava do seu livro. Usou pouco a palavra EU, usou antes o NÓS, o Grupo, os Ferroviários … e aquela energia marcou-nos muito e não duvidamos que seria ali, em Miraflor, que o livro seria apresentado. Quando no acolhimento, em nome do MIRA, agradecemos o facto de termos sido escolhidos não foi uma figura de estilo foi um sentimento que se aprofundou no decorrer da sessão.
Na apresentação do livro, Hélder Pacheco falou do rigor metodológico da publicação embora o autor não tenha frequentado as cadeiras da Academia. José Carlos é um autodidata que elegeu a precisão eventualmente, como forma de resistir à afetação dos sentimentos de quem viveu intensamente a vida do clube ao longo da vida. A sua intervenção foi um hino à glória dos trabalhadores ferroviários que encontraram tempo para construir uma associação que foi plural em todas as dimensões porque ultrapassou em muito o âmbito desportivo. O nomear de nomes, acontecimentos passados, mas tão presentes, emocionou muitos presentes e o próprio autor.
Foi tocante e única na nossa experiência ver a sessão de autógrafos, porque o José Carlos sabia o nome de todos
sublinhando o encontro com uma mãozada forte a mostrar que há laços que não de apartam no tempo nem pela distância antes se apertam ainda mais fortes.
A assistência transbordou a sala, o corredor até à rua mas manteve-se envolvida e atenta a ouvir uma história que mesmo sendo conhecida se quer ouvir mais uma vez tal como acontece com as grandes histórias do mundo. O mundo dos ferroviários estava presente, orgulhoso não permitindo que as desilusões com as decisões tomadas sobre os destinos da empresa, toldassem a sessão de celebração de um livro que não permitirá o esquecimento, o apagamento na história.
O MIRA agradece, agora de forma escrita, ter sido escolhido e termos o privilégio de conhecer o livro, o autor e a comunidade do Grupo Desportivo dos Ferroviários de Campanhã.
GALERIA
FOTOS -©Manuela Matos Monteiro

