15 de Junho, 2024

Alunos da Marinha Grande ensaiam o 18 de janeiro de 1934 do Teatro Operário de Paris

A apresentação está prevista para comemoração da data em 2023

Alunos e professores do Agrupamento de Escolas Poente da Marinha Grande estão a ensaiar a peça de teatro 18 de Janeiro de 1934 que será apresentada, parcialmente, em janeiro de 2023, integrando as iniciativas comemorativas que a cidade vidreira está a programar já no âmbito do 50 anos do 25 de Abril.

A Associação de Exilados Políticos Portugueses está a colaborar na iniciativa e organizará com os parceiros locais uma exposição na Biblioteca Municipal sobre o tema.

Video sobre o ensaio do 18 de Janeiro 1934

As origens

As origens da peça de teatro são relembradas por Helder Costa num texto que redigiu sobre a relação do teatro com as dinâmicas de oposição ao regime salazarista e marcelista que dominava Portugal nesses tempos, denominado “O elo de comunicação”.

18 DE JANEIRO DE 1934

Helder Costa

Este foi o título do 2º espectáculo, já seguindo a linha da tentativa de criação colectiva.
Porquê procurar a “criação colectiva”?
Porque nenhum de nós tinha experiência suficiente para definir uma linha dramatúrgica ou estética, e fundamentalmente porque o trabalho no teatro tinha também objectivos pedagógicos (melhor dizendo, de politização, de tentativa de criar futuros militantes anti-fascistas).
E foi assim que se escolheu estudar essa data do movimento revolucionário português, um acontecimento único: os operários da Marinha Grande, reagindo contra a fascização dos Sindicatos ordenada por Salazar, prenderam a Guarda Republicana e o chefe dos Correios, e durante algumas horas implantaram o soviete da Marinha Grande!
A repressão foi implacável, e muitos terminaram os seus dias no Tarrafal.
Como se depreende pelo tema e seu resultado, não poderia haver a glorificação cega da acção; mas era necessário, nesses tempos de absoluta passividade partidária e cívica, dar a conhecer marcos da luta popular para que as massas se mobilizassem e começassem a criar a consciência da necessidade da revolta. Mesmo que fossem derrotas.
Começou-se pelo princípio: recolha dos documentos da época, tanto de militantes que tinham participado, como de textos oficiais do Governo, discursos de Salazar, etc.
Seguiu-se a subdivisão do grupo em pequenas equipas, responsáveis pela escrita de cenas previamente discutidas e seleccionadas.
E depois, os ensaios, onde tudo era rediscutido e posto em causa… até à gloriosa estreia em 1971, num centro de apoio ao bairro de lata de Nanterre (Paris).
Nessa altura, já começávamos a ter uma espécie de rede por onde circulávamos com as peças: foyers, casas de cultura, clubes portugueses (que ajudávamos a construir e que, em muitos casos, estavam ligados a igrejas católicas ou protestantes), sindicatos…
Com o 25 de Abril, esta peça teve ampla divulgação com várias montagens em meios Universitários e Associações populares, o que demonstra a verdade do que julgávamos importante: divulgar momentos da História que sempre tinham sido ocultados pelo fascismo.

O Teatro Operário no SEM FRONTEIRAS

Editor

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