17 de Junho, 2024

A Lista da Matança da Páscoa

No Viva PREC houve conversa sobre golpes e militares

Manuel Rodrigues foi o convidado de mais uma sessão de apresentação e debate sobre assuntos do PREC. No caso o “Canto de Cisne dos Spinolistas” foi tema de desenvolvimento e esteve diretamente ligado ao 11 de março e ao golpe fracassado.

Reproduz-se aqui um texto relacionado com o assunto desenvolvido na Livraria Ler Devagar de autoria do orador de 11 de março passado.

por Manuel Rodrigues

A Lista da Matança da Páscoa surgiu no início de Março de 1975 na véspera do golpe de estado fracassado de 11 de Março, sendo uma das maiores ”inventona” do PREC (processo revolucionário de 1974/75. O que continha, como surgiu, quem a elaborou,  que papel desempenhou?

Persistem varias opiniões. De acordo com a opinião expressa por Ricardo Noronha em “ Anatomia de um golpe fracassado: 11 de Março de 1975” e de acordo com o “Relatório Preliminar do 11 de Março” do MFA ela continha uma serie de nomes de Militares, Politicos e Empresários de Direita a eliminar e prender na noite de 12 de Março.

Como surgiu? Numa Reunião em Cascais de militares próximos do General Kaluza de Arriaga no dia 8 de Março, o Tenente Barbieri Cardoso comunicou aos presentes a existência duma  lista de pessoas a serem eliminadas pela extrema- esquerda. Foi então decidido enviar a Madrid um dos presentes para confirmar a “notícia”.

A 9 de Março houve reunião em Madrid com vários elementos de extrema direita e o antigo Presidente da Câmara de Lisboa e governador de Angola Fernando Santos e Castro, apresentou a famosa lista que teria sido obtida pelos Serviços Secretos Espanhois e lhe tinha sido entregue pelo Gabinete do então Primeiro Ministro Franquista Arias Navarro. Foi decidido que o emissário regressaria a Lisboa para comunicar aos conspiradores que preparavam o golpe de estado, das informações recebidas dos Serviços Secretos Espanhóis, acerca da lista e da operação que “estaria a ser preparada para 12 de Março” designada “Matança da Pascoa”

A 10 de Março reuniu o emissário com vários oficiais do grupo do general Kaluza e decidiram deslocar-se nesse dia a casa do General Spínola para o informar e aconselhá-lo a deslocar-se para a Base Aérea de Tancos aonde estava a ser preparado o quartel general do Golpe e a antecipar-se à “operação da matança da páscoa”.

O General Spínola “engoliu” a inventona e nessa tarde 10 de Março foi para a Base de Tancos, donde no dia seguinte 11 de Março saiu o ataque ao quartel Ral1 de Lisboa e ao Posto Emissor do Radio Clube Português no Porto Alto. Foi como é sabido um autêntico fracasso e o canto do cisne dos Spinolistas.

O golpe de Estado de 11 de Março que andava a ser preparado pela Corrente politico militar spinolista, pelo grupo do Kaulza e pelos salazaristas refugiados em Madrid, com o apoio do Governo Franquista que estava interessado em acabar o processo de democratização em Portugal e evitar que contaminasse a Espanha Franquista. A lista da Matança da Pascoa foi o catalisador e acelerador do golpe de estado. A pressa em quererem fazer o golpe foi má conselheira.

Como os Serviços Secretos Franquistas puderam ser tão burros ao ponto de “inventarem” a “Matança da Páscoa”? Se não foram eles ficaram com a fama. É bem feito para não meterem o bedelho nos assuntos internos portugueses. A história já lhes devia ter ensinado que sempre que se metem nos nossos assuntos, saem chamuscados.

As consequências do golpe fracassado do 11 de Março são conhecidas: Criação do Conselho da Revolução, Nacionalizações, alargamento e aprofundamento da democratização e do  movimento revolucionário popular.

E no quarte do RAL 1 que foi atacado o que aconteceu?

No dia 14 de março de 1975 os militares do RAL1 em Plenário aprovaram a resolução que anexo

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