15 de Junho, 2024

Aos 49, não faltou energia ao Abril Popular

Desfile na Avenida da Liberdade foi palco para os muitos abris que andam à solta

Há aqueles que querem mais Abril. Defender a democracia e aprofundá-la. Impedir qualquer tentativa de reduzir a liberdade ou enfraquecê-la. Reforçar a mensagem Fascismo Nunca Mais! Atentos à subida da extrema-direita e dos neofascistas mantém uma luta apertada contra as formas ardilosas de recrutamento anti-democrático na insatisfação resultante de muitas situações de injustiça e de exclusão social. Trump e Bolsonaro já mostraram como se faz a coisa num abrir e fechar de olhos.

E há aqueles que querem o seu Abril. Não se sabe bem se o mais importante é a defesa da liberdade e da democracia ou se o determinante é juntar todos aqueles que, sendo ou não democratas, querem é fazer guerra contra quem governa. São os Abris de conveniência. Por enquanto andam pelas traseiras dos desfiles, mas não tarda que se queiram colocar em posições mais afirmativas.

A fase tranquila da jornada de Abril, quando tudo está ainda por arrancar, tem os seus encantos. O silêncio antes dos megafones.

Já a postos encontrava-se a Helena Rato e toda a equipa da Associação Portuguesa de Deficientes que mostrava alto e bom som o seu meio-século de luta pelos direitos e pela qualidade de vida das pessoas com deficiência. Um encontro a meio da avenida que justificou uma boa conversa. Não me esqueço da história do ex-embaixador da RDA em Moçambique que de um dia para o outro, a quase-anexação pela então RFA, colocou-o numa situação de apátrida. Situações incríveis que não lembra ao diabo.

O chaimite e a igualdade de género

O 25 de abril foi realizado por homens. As Forças Armadas, com algumas pequenas exceções, eram masculinas. E os soldados que colocaram cravos nos canos das espingardas, com uma atitude feminina, de embelezar a revolução e de serem menos guerreiros que a situação de “golpe militar” impunha não deixavam de ser “os militares de Abril”. Mas neste Abril 49 já não foi assim e o chaimite da Associação 25 de Abril tinha ocupações que demonstram uma nítida progressão no sentido de uma maior igualdade de género.

Uma das referências incontornáveis do desfile do 25 de Abril da Avenida é o ex-Secretário-Geral do PCP, Jerónimo de Sousa. Para algumas vozes da nossa proximidade ele ainda o é. E para a militante da Margem Sul que acabou de o abraçar “Ele foi o melhor de todos. Não tenho dúvidas sobre isso, às vezes no supermercado onde vou fazer compras pergunta-me pela qualidade da carne e eu lá lhe respondo da melhor forma que sei. É assim, muito direto”.

E o desfile seguiu o seu caminho, com palavras-de-ordem impostas pelas grandes organizações, com silêncios inevitáveis dos pequenos agrupamentos, alguns com a mera intenção de mostrar a sua faixa e de participar na festa.

Fotos © CR/Caixamedia

Editor

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