15 de Junho, 2024

Hélder Costa recebeu um abraço gigante dos amigos na Cantina Velha da UL

Muitos reencontros imprevistos, abraços ruidosos e sorrisos do tamanho do mundo marcaram o arranque da tarde logo nas filas de espera do “check-in” improvisado na Cantina Velha. A agitação na fase preliminar do almoço propriamente dito era notória. Notava-se impaciência nas conversas e desordem nos cruzamentos forçados de apertos de mão, porque, não havia mãos a medir.

Os organizadores abriram as hostilidades e Vasco Lourenço, em algumas palavras, relembrou Abril, a liberdade e a luta política de muitos , entre os quais o Hélder Costa, que os capitães de Abril souberam interpretar na justa medida e com elevado sentido de oportunidade.

Vasco Lourenço dirigiu palavras de apreço ao Hélder Costa

Maria do Céu Guerra leu uma mensagem, das muitas que recebeu, e os presentes ficaram a conhecer uma Irene Pimentel bem diferente daquela que os seus livros incontornáveis aparentam revelar do seu perfil severo de historiadora, fazendo-se aqui anunciar como “a pombinha”!

Querido Helder

É a “pombinha” Irene que te escreve, com saudades. Hoje festejam-te e eu não posso estar contigo, mas queria também festejar-te. Dizer-te que me “deste muitas camisinhas”, desde que te conheci em Paris no Teatro Operário e na militância de “desertar com armas”, essa palavra de ordem que me cativou.

Reencontrei-te depois daquele maravilhoso 25, primeiro dia do resto das nossas vidas, quando, com o Zé Pequenino, fomos ao forte de Caxias buscar o teu FIAT (cabriolet?), “preso” pela PIDE, quando escapaste para Paris, derrotando esses esbirros. Lembro-me que entrámos em Caxias pelo portão, acompanhados de fuzileiros, que nos mostraram mulheres da PIDE presas, em particular a infame “Madalena”.

Depois, foi o “Liberdade, Liberdade”, o Congresso do CDS, em Janeiro de 1975, as reviravoltas partidárias, as festas, as ceias bem regadas.

A Barraca, Zé do Telhado, Fernão Mentes, Santa Joana dos Matadores, Poeta Chiado. Trabalhei contigo e com a Céu, nascendo entre nós uma grande amizade

Obrigada por me teres feito conhecer a Céu, os teus primos, Grândola, o teatro, a militância e por me teres deixado participar em tudo e também na tua vida.

Muito do que sou deve-se a ti e à Céu, à vossa inteligência e criatividade, uma espécie de ADN que também quis assumir

Obrigada

Vivemos anos de alegria, de humor sem limites, de ternura, de riso, sim, de prazer de felicidade, anos que espero que se repitam.

O que mais recordo de ti, nem é a política, é o teatro e o sentido de humor, a praia, a Fonte da Telha, a Aroeira, o prazer de estar no mar e ao sol, a conversa sem parar, em conjunto. A honestidade, a genuinidade, a sinceridade, a lealdada, a cumplicidade e a confiança. Tantas palavras que enriqueceram e enriquecem a nossa relação

Com o gosto pelo pluralismo, desejo continuar a conversar sempre, a discutir, a discordar e quase sempre a concordar contigo.

Um grande beijo amigo, neste dia 13 de Maio, que te celebra de forma tão justa.

Saudades dos encontros imaginários, que venham mil outros! E livros.

A “pombinha” Irene Pimentel

Conversas interrompidas

E as filas da entrada recompuseram-se de novo para o acesso ao bacalhau e às outras propostas da ementa e às tantas as conversas interrompidas alguns minutos antes, retomaram o seu curso e o seu ritmo, sendo certo que o tempo surgiu sempre como escasso e fugidio “Havemos de falar…” repetia-se como uma promessa que, apesar de ser 13 de maio, sabia-se que não seria cumprida.

Poesia, teatro e cante seguiram-se, para celebrar e valorizar com emoções a palavra-chave da jornada que o Hélder Costa relançou com toda a sua energia: fraternidade!

Fotos © CR/Caixamédia

Editor

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