17 de Junho, 2024

EXÍLIOS NO FEMININO – Afinal que livro é este?

Opiniões, protagonistas e roteiro das apresentações públicas (8) | S. ANDRÉ

Arnaldo Cunha da Silva na sessão de apresentação do livro em Santo André

O que diz Arnaldo Cunha da Silva?

Gostei do ambiente, emocionei-me, fiquei mais leve e honrado

Fui convidado a apresentar no dia 5 maio, na Biblioteca da Vila Nova de Santo André, o livro “Exílios no Feminino”. Hesitei, não por ter alguma dificuldade no tema, mas porque, para mim, é muito difícil e penoso falar de prisões, torturas e exílios.

Falar ou escrever sobre exiladas é um grande feito, pelo que considero ser um ato muito corajoso destas 7 mulheres, testemunharem sobre um percurso da sua vida durante o qual desempenharam simultaneamente o papel de mulher combatente; esposa; trabalhadora e mãe.

Durante muito tempo os seus companheiros de luta, os homens, esqueceram-se ou fizeram silêncio, do trabalho do tipo formiguinha executado por elas na luta contra a ditadura fascizante em Portugal.

Tive a honra de conhecer algumas mulheres no exílio, que tinham sido presas e torturadas pela PIDE e após a sua libertação decidiram continuar a lutar e partiram a salto sozinhas ou com os companheiros para um país desconhecido, onde havia mais liberdade, mas muita dureza em termos de trabalho, deveres e direitos. Eram estrangeiras.

Uma vez no exílio lutaram em várias frentes: contra a ditadura no seu país; contra desigualdade e pela integração dos emigrantes nos países de acolhimento; pelo trabalho digno enquanto mulher exilada; contra a discriminação sexual e o machismo ainda muito vincado na época.

Muitas destas mulheres não tiveram tempo para elas, viveram para o trabalho; para cuidarem dos seus companheiros; dos seus filhos e da casa, prejudicaram ou adiaram a sua formação académica e a realização dos seus sonhos.

Foi esta lembrança que me levou a aceitar o convite. Considero que chegou tarde “Exílios no Feminino”, mas lá vem a frase típica “Antes tarde que nunca”.
Pois! É assim que nós estamos formatados.

Sete mulheres

Estas 7 mulheres com origens sociais e vivências idênticas, apresentam um conjunto de depoimentos muito comum entre elas: a luta pela liberdade, igualdade social, o fim da discriminação sexual e emancipação da mulher em prol de uma Sociedade mais justa.

A coragem de falarem de si e da sua família, dar a conhecer os seus percursos e sofrimento muitas vezes escondido no seu interior, revela-nos a determinação de exercerem o dever de cidadãs para com a sociedade, em especial para com as atuais e novas gerações.

Este livro é também uma porta para que outras mulheres lutadoras e exiladas, possam entrar e dar a conhecer o seu contributo para a liberdade que Portugal conquistou.

Afinal os homens não foram os únicos “heróis”.

Obrigado pelo convite, gostei do ambiente, emocionei-me, fiquei mais leve e honrado.

Até sempre, mulheres do meu país.

Arnaldo Cunha da Silva

Nascido em 1953 | Vila Franca de Xira – Paris, a sua segunda terra Cidadão politicamente ativo e profissionalmente muito exigente, hoje jubilado.

VÍDEO | IRENE PIMENTEL – CONSELHO SUPERIOR DE DEFESA NACIONAL – Intervenção no contexto da apresentação do livro e do debate.

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