6 de Maio, 2026

Dia nacional do povo cigano

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Assimilação, integração e inclusão

[a partir da foto partilhada pelo Carlos Miguel, um cigano torriense defensor da coesão social].

por Carlos Valentim Ribeiro

Recordo-me de uma experiência levada a efeito no quadro da Iniciativa Comunitária EQUAL [2004?], quando realizava a animação técnica de redes nacionais de projetos de inclusão social, que consistia num teste a soluções arquitetónicas e de gestão de espaços residenciais que combinavam áreas de residências sedentária – casas de piso térreo – com áreas exteriores nas quais existiam tendas, roulotes e pequenas hortas que as famílias ciganas utilizavam nos termos que melhor entendiam. O que é certo é que o modelo [cujo desenvolvimento desconheço] atraiu alguns bairros do território que adotaram a sua base para fomentar uma maior dinâmica comunitária e reforçar o laço social entre os moradores.

Este caso é bem ilustrativo da diferença fundamental entre conceitos como ASSIMILAÇÃO – INTEGRAÇÃO E INCLUSÃO.

Abordando o assunto apenas pelo lado das relações de poder, na assimilação estamos perante processos imperativos, de poder absoluto que estabelece que os “assimilados” devem esquecer as suas raízes e sentido identitário e adotar de forma acrítica o estabelecido no seu contexto de vida em termos de normas e de costumes.

Na INTEGRAÇÃO a finalidade é a mesma, mas os processos são diferentes. Trata-se de impor mecanismos de progressiva adaptação à norma vigente, colocando os “integrados” numa posição de sujeição nas questões essenciais e equilibrando as relações com alguma tolerância em matérias secundárias.

Já a INCLUSÃO assenta em relações de poder nas quais prevalece a negociação. O ponto de partida dos processos inclusivos reside nas vantagens mútuas e na partilha de novos elementos que são considerados úteis e interessantes entre as partes. No fundo, como acima se ilustrou com os ciganos, existe a possibilidade de melhorar as condições de habitação através de soluções combinatórias e, da mesma forma, explorar outra possibilidade de melhorar a vida comunitária e a relação entre as pessoas através de dispositivos abertos e multifuncionais [que aliás serão consolidados nos modelos de animação comunitária como os TIERS~LIEUX ou PHIRD PLACES muito desenvolvidos em França e Grã-Bretanha]. Não aproveitar a riqueza daqueles que a têm e trazem, em termos culturais e sociais, redunda num desperdício que só os cegos [pelo individualismo e a ideologia] não conseguem ver.

Foto partilhada por Carlos Miguel

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