16 de Abril, 2026
manuela

Sinal do(s) tempo(s)

por Manuela Matos Monteiro, in facebook

Nos meus posts sobre quem habita o Broas e Broinhas – vizinhos, eu, nómadas digitais, turistas, estudantes, viajantes a ir ou a vir da estação – já falei deste casal em modo de namoro alongado.


Interrogo-me porque razão acho que é namoro: não há sinais de irritação, porque os inclinares de cabeça – mais dela do que dele – são de uma certa contemplação, porque há gentilezas e gestos carinhosos (que não passam por toques corporais).

A vida rotinada, o desgaste dos teres e fazeres tratam de amaciar os enlevos, que não são longos por natureza e definição.
De costas, vi há pouco o par a mexer os braços e inclinação de corpos fora do habitual. Pensei que estavam a jogar xadrez e até me alegrei. Fiz de conta que precisava de guardanapos e abeirei-me para confirmar.
Não jogavam xadrez. Abriam caixas de medicamentos, e passavam as pastilhas dos blisters para caixas dispensadoras, não vá haver trocas ou esquecimentos.
Sinal do tempo, sinal dos tempos! Como sou uma respigadora dos dias, até achei bonito!

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