11 de Março, 2026

Elon Musk não viu o filme ET

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“Quando o telefone toca” que acontece até 26 de outubro

por Manuela Matos Monteiro

No sábado à noite, revi o filme ET que abriu um novo ciclo do Batalha Centro de Cinema: “Quando o telefone toca” que acontece até 26 de outubro. Os filmes selecionados não são sobre o telefone mas antes um pretexto para convocar histórias contadas no ecrã.

Quando estava a ver esta história improvável – para não dizer impossível – percebi que o filme é sobre a empatia. Na sua origem – do grego “empátheia” — en, “dentro”, e pathos, “sentimento, paixão” a palavra refere-se à relação com o outro que não é “só” compreender o outro: é acolher a dor, a alegria, como se fossem nossos. Mas este acolher não implica que o outro me seja semelhante, que seja alguém com quem me identifique. O filme mostra uma relação de humanos com um extraterrestre precisamente para mostrar que a empatia envolve o vínculo que pode acontecer com o tão diferente.

Lembrei-me do dizer de Musk, o homem mais rico do mundo: a empatia é um bug, uma falha, porque o afetivo, o emocional afeta a produtividade, atrapalha a lógica dominante, é um desvio do funcionamento ótimo com vista ao lucro. Pelo contrário: a empatia é a cola social essencial que está na base da cooperação, solidariedade fundações da construção de comunidades, da confiança, da ética. A sua falta, segundo Hannah Arendt que estudou regimes totalitários designadamente o nazismo, abre espaço para a banalidade do mal.

Penso a empatia na relação quotidiana em que tantas vezes falha, mesmo nas relações de amigos e de casais: não nos colocarmos no lugar do outro, faz crescer espaços vazios, ressentimentos, ruturas tantas vezes radicais. Há literatura que considera que as mulheres tendem a ser mais empáticas do que os homens, eventualmente porque as conceções do “ser homem” nas nossas sociedades considere que a empatia é sinal de fraqueza. Um engano, porque a empatia envolve segurança, sustentabilidade psicológica, disponibilidade. Quem não é empático, não sabe o que perde em humanidade porque fica menos, porque é menos.

O Joaquim Guilherme Blanc, diretor do Batalha Centro de Cinema – uma direção notável de um centro com um programa múltiplo, integrador, inclusivo e culto – disse na apresentação para não chorarmos. Claro que chorei, como eu muita gente à volta e, com certeza, o próprio Guilherme também chorou.

Mais informações:

Curadoria do ciclo: Diogo Costa Amarante, Inês Sapeta Dias e Justin Jaeckle.

O programa decorre até 26 de outubro. Pode ser consultado AQUI.

MÚSICA – Sugestão de Manuela Matos Monteiro

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