Coisas simples que nos fazem bem !
CONTADORES DE HISTÓRIAS – Na Foz do Sizandro

Carlos Miguel
[CRÓNICAS DA FOZ DO SIZANDRO X]
Há muito, muito tempo que não passava três semanas seguidas na Foz, descontando um e outro salto ao gabinete.
Foi bom !
Foi muito bom !
Convivi com novos quotidianos e revivi velhos e saborosos hábitos.
Esta foi a primeira vez na Foz para a Madalena e a Leonor, que ainda não fizeram um ano, e como tudo se modificou: às 20h deixou de se poder fazer barulho porque “as meninas estão a dormir”, até a loiça fica para lavar so amanhecer; a televisão foi passar o verão a outra casa para “não acordar as meninas”; os livros ocuparam o espaço do ecrã e foram três, o último dos quais, “Querida Tia”, fabuloso; as gracinhas das “meninas” encheram os nossos olhos e pelas 7h15m ou 20m lá estão elas a gatinhar e a sorrir, fazendo boquinhas “Ou !, Ou !, Ou !”.
Que bom vê-las a crescer !
Não deixámos de ir à Assenta, comprar o “Público” no “Moderno”, beber uma bica no “Maroto” e cumprimentar o Sr. Mário, por vezes lá salta um pastel de nata do balcão para a mesa, levantar dinheiro na Associação, comprar fruta e pão na “Melinha”, uma carninha no “Passarinho” e, no regresso, parar em Cambelas, na “fábrica” dos congelados e trazer uns cachaços bacalhau porque nunca se estragam, mais umas lulas para o almoço e, já agora, uns búzios, pois pode aparecer alguém.
As caminhadas nos passadiços sucedem-se dia após dia.
São 3.000 passos para lá e outros tanto para cá, feitos de muitos “bons dias” e “boas tardes”, com um olho na Kira e outro no Noopi que já passeiam sem trela e os bons encontros repetem-se. Ainda ontem troquei um abraço com o amigo Fortunato que ia a meio dos seus 9 km em passo apressado para “não arrefecer”.
O café é servido no Carlos ou no Manel e quando é dia de Benfica aquele transforma-se em “catedral”.
Mas há algo que se repete há quatro gerações: a boa vizinhança !
É o Sr. Zé e o Sr. Artur, a D. Consuelo e a D. Odete, a Íris e a Nini, os filhos destas, o primo Jorge, mais a Virgine, a Aurelie e os filhos que vêm com os avós, o Zé Maria que não mora ao lado mas é logo ali, o primo Belmiro, a prima Lála, a Paula, a Carina, a Cátia e tanta gente boa em calções.
São laços que se fazem de sorrisos e partilha: é um jarro de cerveja que salta o muro, uma travessa de arroz doce que voa para o outro lado, é um pão que chega e uma garrafa de vinho que parte, são as peras que têm de se comer antes que fiquem servadas e o melhor é repartir, são tantas as cumplicidades que nos alimentam e animam.
Estar aqui é tudo isto e muito mais.
Coisas simples que nos fazem bem !
