15 de Junho, 2024

Uma noite na BARRACA

ESPECIAL SF | TEATRO – Encontro Imaginário de 21 de fevereiro 2022

O anúncio não podia ser mais claro “Não nos peçam a única coisa que temos para vender”. A placa horizontal colocada na parte superior do envidraçado da bilheteira dá suporte a uma inscrição que aparenta ser um pedido mas, na realidade, trata-se de um aviso com um sentido prometedor, algo do género “Aqui levamos as coisas sérias, a rir”.

Aproximamo-nos e compramos bilhete. Hoje não há fila de espera nem concentração no hall de entrada como no Encontro anterior de homenagem ao Otelo. Os diálogos entre personagens históricas criados por Hélder Costa vão ter por palco o bar, o espaço informal do Cinearte que é simultaneamente o grande ponto de encontro de amigos e de camaradas que o transformam num lugar único de liberdade e de amizade.

As primeiras conversas soltam-se, cruzam-se informações avulsas, notícias surpreendentes, comentários aos títulos do dia, declarações próprias de reencontros inesperados e a inevitável censura à inimiga comum: a máscara de proteção sanitária. Percorrem-se páginas de livros com olhares de perplexidade, repetem-se cumprimentos cautelosos com abraços de curta duração e, os protagonistas da noite, ainda a pensar nas deixas mais arrojadas das suas personagens, juntam-se aos grupos informais que clamam por registos fotográficos que eternizem o momento.

No palco, entre microfones, Helder Costa acompanhado por Luís Nazaré (Mark Twain), Fernanda Marques (Hipátia) e Vitor Ramalho (Churschill) apresenta o escritor e humorista norte-americano e dá-se início a um ciclo de diálogos bem humorados, com vários comentários laterais aos conteúdos pré-definidos e com um ambiente de “humor reflexivo” que constitui a própria essência dos Encontros Imaginários.

“E com isto damos por terminado mais um Encontro Imaginário” conclui o anfitrião e autor dos diálogos. Os quatro “leitores em voz alta” avançam para a frente do palco para receber os aplausos, cheios de calor e cumplicidade, do público atento e participativo que deu nota da sua presença nos momentos mais intensos da conversa construída pelo quarteto.

Espera-nos um jarro de tinto e um chouriço assado num pequeno restaurante na proximidade, com Helder Costa a revelar os seus projetos, a revisitar as suas memórias “Conheci o Otelo no Festival de Nancy, o Jack Lang apresentou-nos e eu chamei-lhe à atenção para um estranho acompanhante que que se chamava Albarran. Começámos bem a nossa relação e foi gratificante vê-lo aqui na A Barraca a fazer de Salazar”. “O teatro é isso mesmo, é o momento de pensar com a ação a decorrer à frente dos nossos olhos”. “Os desenhos nas folhas de papel das mesas de restaurante, desapareceram todos. Um dos colecionadores era o Trincas, mas com o seu desaparecimento perdeu-se tudo. Uma pena”. E aí por diante….a noite já ia longa e quase que tocava na madrugada. O grupo precisava de se dispersar para voltar a reencontra-se. E o Cinearte, tão perto, logo ali à esquina.

Fotos © Carlos Martins Pereira.

Editor

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