Novas perspectivas
A Revolução dos Cravos e os Portugueses na França
[Artigo coletivo na Revista Exílios e Migrações ibéricas nos séculos XX e XXI – 20261/nº17 – Exílios e Migrações Ibéricas nos Séculos XX e XXI é uma revista dedicada ao estudo das migrações ibéricas contemporâneas – tanto políticas quanto económicas – que visa contribuir para a disseminação do conhecimento sobre esses temas] – Por Cristina Clímaco, Victor Pereira et Marie-Christine Volovitch-Tavares – Páginas 7 a 10.
Em 25 de abril de 1974, o golpe de Estado liderado por jovens capitães do MFA (Movimento das Forças Armadas) derrubou a antiga ditadura portuguesa (1926-1974), prometendo descolonização, democratização e desenvolvimento.
As fortes mobilizações populares que se seguiram provocaram profundas convulsões em toda a sociedade portuguesa durante os dois anos do “Processo Revolucionário em Curso” (PREC, 25 de abril de 1974 – 25 de novembro de 1975).
Essas convulsões políticas e sociais em Portugal foram também acompanhadas por mudanças significativas nas relações de Portugal com os seus emigrantes. Foi em França que as mudanças foram mais significativas, não só porque os emigrantes portugueses, que somavam 750.000 em 1975, constituíam o maior grupo de emigrantes portugueses no mundo, mas também porque não eram meros espectadores de uma revolução distante, mas sim participantes ativos, com as suas próprias reivindicações e iniciativas.
As comemorações do 50.º aniversário da Revolução dos Cravos proporcionaram, tanto em Portugal como em França, uma oportunidade para a realização de conferências e publicações que complementam trabalhos anteriores e abrem novas vias de investigação. Contudo, o caso dos emigrantes e exilados portugueses em França permanece relativamente pouco explorado, e é a partir desta perspetiva que apresentamos novas ideias baseadas em seis casos específicos.
Os tumultos da Revolução conduziram a uma mudança radical na relação entre os emigrantes e as autoridades portuguesas…
Notas isoladas e complementares sobre o tema
Maria Helena Pereira
No início dos anos 80, existiu um coletivo chamado “Centopeia” que reunia vários jovens de origem portuguesa, com textos e até uma curta-metragem chamada “Portugaises d’origine” sobre os portugueses em França, onde eram abordados temas recorrentes: o regresso, o ensino da língua, o racismo, as experiências em associações, os conflitos geracionais, as mulheres, a vida “entre dois mundos”… Eu fazia parte dessa geração e daquela que se mobilizou bastante e até criou programas de rádio falando sobre todos estes temas e muitos outros, o que mais tarde me levou a ser a única jovem cofundadora da Rádio Alfa, um grande passo para romper com o isolamento do passado da comunidade e com o movimento associativo insular do futebol, dos jogos de cartas, dos bailes de fim de semana, do folclore e da saudade.
António Dinis Delgado Fonseca
Em dezembro de 1974 eu e mais 4 oficiais do MFA dos diversos ramos das forças armadas fomos enviados a Paris, durante uma semana, com a missao de explicar as razoes e objetivos do 25 de Abril aos portugueses emigrados na região de Paris. Os capitães Delgado Fonseca, Ramos, Santos Silva, neves Rosa, e Brandão, apoiados pelo consulado provisório em Paris e Teresa Mendes, Manuel Areias, Artur Monteiro, Bandeira interviemos em mais de uma dezena de reuniões multitudinárias nos bidonvilles de Nanterre, Champigny, Villejuif, , s.Denis, Argenteuil e La Courneuve. Alem dos muitos portugueses assistiram tambem muitos outros emigrantes, sobretudo espanhóis estes bem mais politizados di que os portugueses. Ad condicoes de vida eram muito mas, em barracas de zinco com chuva e muita lama. Do dialogo com os portugueses trouxemos para expor ao governo português fundamentalmente o pedido para que fossem criadas formas e condições financeiras para que as suas economias pudessem ser utilizadas na o desenvolvimento das suas regiões de origem. Esta missao do MFA terminou com uma sessao no anfiteatro da universidade de Sorbone onde com sucesso nos confrontamos com militantes de vários quadrantes politicos. Recordo que o governo francês deixou de autorizar missões semelhantes com militares fardados.
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