16 de Abril, 2026
hpato

 Entre o desânimo e o desejo de coragem para a mudança

O DEBATE NA ESQUERDA – Encontrar caminhos

Das análises e comentários publicados nos últimos dias no seguimento dos resultados das eleições autárquicas emerge uma clara preocupação no sentido de serem encontradas vias eficazes para um reforço efetivo da capacidade da esquerda de resistir e de relançar as suas bandeiras de esperança. Das posições recentemente assumidas no espaço público queremos destacar a reflexão de Helena Pato. [NSF – CVR]

Por Helena Pato, opinião

1. Não julgo acertado, nem me apetece, ser mais uma activista da Resistência, a malhar no partido a que dediquei, de corpo, alma e coração, uns 30 anos da minha vida. Desde que me afastei do PCP, critiquei-o ou apoiei-o, quando vi razões para isso e oportunidade em fazê-lo.

O dogmatismo é uma doença adolescente que nunca me contagiou, mas que me afectou na “saúde da minha militância” e foi essencialmente por isso que saí do partido em 1990. Desiludida e triste.

2. Desculpem-me, entretanto, a expressão de alguns desejos meus, como cidadã para quem o Partido Comunista faz falta na construção de uma Democracia apoiada na Constituição Portuguesa, sua fundadora…

Hoje, antifascista (independente), numa esquerda que me parece (quase toda) desorientada, sigo com atenção e muito interesse a vida política – apesar de algum sono perdido em insónias de preocupação. Eu sei que se trata de uma nota despretensiosa, esta, meramente pessoal, mas escrevo-a porque ainda sinto que tenho essa espécie de dever para com a vida política. Não sendo comentarista, nem tendo atributos para tal, ocorre-me frequentemente que gostaria de ver o PCP fazer uma reflexão profunda, honesta, autêntica e construtiva:

– onde a autocrítica, da base ao topo, voltasse a ter lugar (como na década de 50);

– onde o sectarismo fosse combatido no interior do partido, e não aparecesse somente criticado pelos não comunistas;

– onde quem lhe aponta falhas, desajustes ou incoerências, não é sistematicamente acusado de “anticomunista”

3. Foi grave, e talvez um acontecimento mais nocivo ao PCP do que parece, o que se passou em Lisboa, nestas eleições autárquicas, na sequência da divisão das esquerdas. Os lisboetas poderiam, nos dias em que estamos, ter a sua cidade entregue a um Executivo competente, capaz de reverter ou reparar erros que a vêm destruíndo. Assim não foi!

4. Por outro lado, teremos TODOS de nos predispor para um debate urgente, que possa contribuir para pôr termo a um vírus internacional, que ainda não encarámos de frente. Aos meus olhos, em Portugal, ou não se lhe dá atenção, menosprezando-se as razões de centenas de milhares de homens e mulheres que, apanhados no turbilhão de carências, seguem um missionário populista, hábil e mentiroso; ou se tira partido de acasalamentos (em uniões de facto, aceites por partidos de direita, oportunistas e sequiosos de poder)

…Ou , então, vive-se amedrontado (mas paralisado…), perante um futuro de cariz nazi-fascista, do qual a Constituição há muito deixou de nos proteger com clareza…

É caso para dizer, agora na versão adaptada: “o futuro poderá ser difícil, mas tem de ser nosso”.

Haja coragem nas esquerdas e em alguns democratas ( sérios e respeitadores afirmados da Constituição) para reflectirem, negociarem e podermos retomar o caminho que nos conduza a uma Democracia mais justa, mais nobre e igualitária.

HP

15/10/2025

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