22 de Junho, 2024

De Gaulle e a Europa

OPINIÃO | De Gaulle europeista esquecido

Por Hélder Costa

Pertenço ao imenso grupo de europeus que estão desiludidos com a não- intervenção política  da Comunidade Europeia no actual conflito Rússia – Ucrânia.

E lembrei-me de De Gaulle, general, político e estadista francês que liderou as Forças Francesas Livres durante a Segunda Guerra Mundial e presidiu ao Governo Provisório da República Francesa de 1944 a 1946, a fim de restabelecer a democracia na França. Foi eleito presidente de França  e concedeu a independência a Argélia contra os colonos pieds-noirs e os militares franceses,  o que motivou um dos atentados de que foi  alvo em 8 de Setembro de 1961,  pelo general Raoul Salan. Outros atentados foram em Paris, no ano de 1945, por atiradores furtivos alemães  e outro em 22 de Agosto de 1962, quando o seu carro foi crivado de balas. Ainda em 1963, seria desbaratado um complô na Escola Militar para o matar.

Como se percebe, os pétainistas que apoiaram Hitler tinham muita força anti–democrática, o nazismo continuava, como já sabemos. Até aos dias de hoje.

De Gaulle empreendeu o desenvolvimento de armas nucleares francesas e promoveu uma política externa pan-europeia, buscando livrar-se das influências norte-americana e britânica. Retirou a França do comando militar da OTAN  e lançou a palavra de ordem  “A Europa do Atlântico aos Urais!”, o que demonstra que não tinha medo do stalinismo do Staline e respeitava o  enorme sacrifício do povo russo com 25 milhões de mortos causados pela Ofensiva Hitleriana. E também, em 1967, durante uma visita oficial ao Canadá, incentivou publicamente o Movimento pela independência de Quebec lançando o slogan dos separatistas: “Viva o Quebec livre!”.

Viajou frequentemente pela Europa Oriental e por outras partes do mundo e reconheceu a China comunista.

Para fim do mandato  em maio de 1968  sofreu protestos generalizados de estudantes e trabalhadores. No entanto, sobreviveu à crise com uma ampliação da maioria na Assembleia. Pouco depois, em 1969, depois de perder um referendo sobre a reforma do Senado e a regionalização, renunciou e faleceu no ano seguinte.

Este é um verdadeiro exemplo de um lutador pela EUROPA independente , progressista e pluralista.   Um exemplo infelizmente esquecido. 

Foto © Carlos Martins Pereira

Editor

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