15 de Junho, 2024

Rota europeia do Exils au Féminin arrancou no Luxemburgo [1]

Versão francesa do livro Exílios no Feminino foi apresentada em Dudelange e na Cidade do Luxemburgo

No recinto dos carrinhos de choque das feiras populares, no início de mais uma ronda, o microfone costumava anunciar de forma viva e com algum humor “Apertem os cintos, a viagem vai começar”.

A viagem

De certa maneira o arranque da Rota Europeia de apresentações do livro Exils au Féminin, que vai passar pelo Luxemburgo, Bélgica e França, integrou este sentido de vivacidade e de boa disposição.

No aeroporto de Lisboa, pelas 6h da manhã de dia 11 de março, o grupo estava reunido com pontualidade britânica, pronto para enfrentar as diversas fases da viagem até ao desembarque no Luxemburgo. Os comentários, os desabafos e as primeiras interpretações para o sucedido nas eleições legislativas, realizadas na véspera, passaram a ter presença obrigatória nas conversas ocorridas nos corredores que conduziam à sala de embarque. O ambiente marcadamente polémico prometia. Estávamos apenas no início de um périplo que iria durar até à quarta-feira seguinte.

No aeroporto Humberto Delgado, Amélia Resende, Maria Emília Brederode Santos e Helena Cabeçadas.

Cidade do Luxemburgo

Os primeiros passos na cidade revelaram um espaço urbano cuidado e preocupações equilibradas com a gestão das diversas mobilidades. Rapidamente a presença portuguesa emergiu quer nas propostas de restauração quer ainda nas pinturas das viaturas comerciais que circulavam com contactos e informações sobre serviços diversos, de limpeza, de taxi, de obras de renovação, de catering. Como nos adiantou um taxista nascido em Loures e radicado há 20 anos no país “Aqui não há luxemburgueses com taxis e muito menos a trabalhar nas obras e nas limpezas. São advogados, engenheiros, trabalham nos bancos, mas nem pensar realizarem trabalhos manuais. Esses são para os portugueses”.

Helena Cabeçadas, Fernanda Marques e Irene Pimentel

Espaço urbano na cidade do Luxemburgo

Dudelange, a sul

A primeira apresentação do livro Exils au Féminin estava agendada para a cidade de Dudelange, no sul do país, localidade marcada pela presença de imigrantes em larga escala, atualmente com características muito diferentes daquelas que foram as dos primeiros a chegar, os italianos que vieram para as minas de carvão e para a siderurgia.

A caminho. Para Dudelange.

O CDMH-Centro de Docummentation sur les Migrations Humaines, entidade que editou o Exils au Féminin na sua versão francesa, com a colaboração das autoras dos textos e do editor-coordenador editorial da versão portuguesa, está a desenvolver um projeto no bairro Italie – Moving Lusitália – e a recuperar as memórias de vivências antigas e de histórias de pessoas e de espaços simbólicos e relevantes daquela área da cidade. Cruzam-se no projeto diversas nacionalidades entre as quais a portuguesa.

O projeto Moving Lusitália


O microcosmo do bairro “Itália” surge como um espelho de uma história global de Dudelange, até mesmo do Luxemburgo.
MOVING LUSITALIA é um projeto de investigação, tanto físico como digital, sobre histórias do quotidiano.

Com base em arquivos (documentos, fotos) e histórias de vida de pessoas presentes no bairro, no passado ou no presente, desenhámos uma experiência audiovisual que se estende pelas ruas do bairro. Convida a uma viagem no tempo, pelos lugares e baseia-se em anedotas que evocam os ritmos que animam o bairro “Itália”. Diferentes temas (associações, mulheres, condições de vida, mobilidade social, “aqui e noutros lugares” etc.) apresentam pesquisas atuais.

Graças a uma WebApp é possível viajar no tempo explorando o bairro a pé e mergulhando nas histórias dos lugares vividos.
Uma experiência imersiva capaz de abrir “janelas para o passado” através de imagens, histórias, vozes e composições sonoras que envolvem os visitantes, transformando-os em novos “viajantes do tempo”.
Em particular, o som binaural e os ambientes musicais, em contraponto às vozes dos habitantes, são construídos ad hoc através de uma técnica de espacialização de áudio que permite reproduzir uma experiência auditiva muito envolvente e próxima da realidade através de auscultadores. Nota de apresentação do projeto no site.

Imagens expostas na sede do CDMH em Dudelange

Fotos © Carlos V. Ribeiro [excepto as do CDMH Moving Lusitália].

Editor

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