17 de Junho, 2024

Otelo, sempre!

COMBATENTES DA LIBERDADE | Informações, opiniões e conteúdos de valorização de Otelo Saraiva de Carvalho

Um primeiro apanhado das reações ao anúncio da morte de Otelo indica-nos que a sua valorização como obreiro do 25 de Abril, como combatente da liberdade e como homem bom que era, interpelam para uma atitude firme e ativa que não permita que o nome e o percurso do “capitão de Abril” seja diminuído ou inserido em discursos de ambiguidade que é, como sabemos, o caminho que alguns adotam para enfraquecer as ideias da transformação social, da liberdade e da democracia.

Iremos publicando alguns elementos do percurso de Otelo que poderão ser disseminados noutras formas e meios de comunicação visando uma valorização clara e inequívoca de Otelo, como revolucionário, como militar de abril, como defensor da participação popular na resolução dos problemas coletivos, políticos e sociais nacionais e da participação dos povos, a nível internacional, na oposição ao fascismo, ao autoritarismo e às formas neo-coloniais que persistem no mundo.

001| CARTAZ

Isabel Lhano

A Isabel Lhano, pintora relembra-nos os cartazes produzidos com e para apoio ao Otelo.

“Lembro-me de realizar cartazes sobre ele na época mas não tenho imagens. Partilho convosco esta que gosto muito. Até sempre Otelo e a luta contra o fascismo continua”.

002 | BLUSÂO

Rui Bebiano

“Talvez uma das imagens que melhor pode ser olhada como sinal do seu legado seja este blusão militar com os galões de major, aquele que usou na madrugada libertadora de Abril e que doou ao Centro de Documentação 25 de Abril. Fotografia da publicação Coolectiva.”

003 | A PALAVRA DE ORDEM | Campanha presidencial

Rui Bebiano

Participei na campanha presidencial de Otelo em 1976, aquela em que este defrontou sobretudo Ramalho Eanes, o «candidato do 25 de Novembro».

Foram semanas em que percorri o país por montes e vales, cidades e aldeias, ajudando a levar os sinais que nós, seus apoiantes, então interpretávamos como de sobrevida dos ideais mais progressistas do 25 de Abril. Ainda tenho nos ouvidos uma palavra de ordem nessa altura muito gritada e que integrava apenas a verbalização ritmada do nome completo do candidato: «OTELO – NUNO – ROMÃO || SARAIVA DE CARVALHO!».

004 | PLANO GERAL DE OPERAÇÕES DO 25 DE ABRIL

Rui Bebiano

Esta é uma página do Plano Geral de Operações do 25 de Abril, autógrafo de Otelo Saraiva de Carvalho doado ao Centro de Documentação 25 de Abril. Este e outros documentos podem ser consultados na íntegra a partir do link.

005 | CRÓNICA

Paulo Esperança

A HISTÓRIA JUSTA

A História, dizem-nos, é feita de vencedores e só a estes é reconhecido o papel de ícone nas imagens integradas nos seus tratados.

Há quem diga que para analisar alguns dos protagonistas da História o tempo de análise é sempre cedo e que é preciso distância e equilíbrio para haver isenção.

Sei que há exemplos casuísticos que provam todas estas teorias assim como, muitas vezes, essa justificação se torna útil para negar as verdades de alguma História contemporânea.

Tudo isto acontecerá depois de hoje, dia em que Otelo Saraiva de Carvalho, nos deixou.

LER A CRÓNICA TODA

006 | CRÓNICA

José Manuel Correia Pinto

OTELO SEM “MAS”

Depois de tantas tentativas falhadas, depois de dramáticas convulsões internacionais que o regime superou incólume e fortalecido; depois de acontecimentos nacionais tão marcantes como as eleições presidenciais de 58, a perda do “Estado da Índia”, o sequestro do Santa Maria, a eclosão do movimento anti-colonial do 4 de Fevereiro, o 15 de Março, a “Abrilada”, a guerra em Angola, depois na Guiné e por último em Moçambique – qualquer um deles mais do que suficiente para derrubar um governo -; e, muito mais recentemente, depois do falhado “golpe das Caldas”, de 16 de Março de 1974 e da apoteótica homenagem prestada a Marcelo Caetano logo a seguir, em 31 de Março, no Estádio José Alvalade, completamente cheio com mais de 80 mil pessoas, depois de muitas décadas, distantes ou mais próximas, de vigência de um regime amparado e protegido por múltiplas forças e estruturas repressivas, que o faziam parecer imutável, inabalável e imune a qualquer alteração à sua esquerda, Otelo, “emergindo da noite e do silêncio”, como principal responsável pela concepção e comando de um programa operacional, venceu onde muitos antes dele fracassaram, conseguiu naquela madrugada redentora, há tantos anos por tantos esperada, derrubar a ditadura, acabar com o tempo velho e iniciar um tempo novo “inteiro e limpo”.Se depois dele o adulteraram ou não lhe proporcionaram a limpeza e a inteireza com que deveria ter crescido, a culpa não é dele nem dos seus camaradas que, em Abril, Abril fizeram, MAS de quem, de Abril se aproveitando, Abril traiu.

Nota: as colaborações diversas nesta resenha dinâmica e diversificada resultam de propostas dos nossos leitores e ainda de autorizações de produtores de conteúdos que aceitam a sua divulgação no SEM FRONTEIRAS.

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